Café Indiano da região de Malabar

O café indiano da região de Malabar tem uma história interessante que define o seu aroma e sabor. Você se lembra das suas aulas de história quando lhe contavam que navios europeus buscavam especiarias na Índia para abastecer os mercados da Europa? Vou refrescar sua memória sobre as aulas de história: no passado havia um grande interesse dos europeus nas especiarias vindas da Índia, especiarias como cravo, canela, cardamomo e outras. Na época não tinha sido construído ainda o Canal de Suez, então os navios com especiarias eram obrigados a contornar o continente africano para alcançar o feroz mercado europeu, juntamente com as especiarias, vinham também carregamentos de café no mesmo navio.

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Nessa longa viagem até a Europa, o café ficava cerca de 6 meses navegando dentro dos barcos à vela e acabava por absorver os aromas das madeiras dos cascos dos navios, absorvia também o aroma de maresia e obviamente os aromas das especiarias que viajavam junto. Hoje em dia, os cafés indianos não dão mais a volta na África, mas os produtores indianos beneficiam o café de uma forma característica para que fique semelhante aos cafés daquela época.

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Quer saber mais sobre o mercado europeu com as índias? (Indiquem algum link, porque sou péssima de História)
Link Wikipedia – Império Português
Quer saber mais sobre o clima de Monções?
Vídeo Youtube explicando o clima de Monções
Quer saber mais sobre a região de Malabar?
Costa do Malabar
Região de Malabar

Os cafés de Monções hoje em dia são expostos ao clima de monções por cerca de 3 meses, depois são ensacados em colocados em armazéns expostos aos ventos de maresia durante a estação que ocorrem as Monções.

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A região de Malabar é afetada diretamente pelos ventos de Monções, que são ventos característicos da região, e acabam trazendo a umidade do mar para o continente, e depois essa situação inverte, trazendo ar seco e frio do interior para o litoral. Essa alternância de clima úmido e seco deixa o café da região com características especiais, como a coloração amarelada do grão e a baixa acidez que quase chega a ter um pH neutro, isso porque o grão incha com a presença de chuva abundante e depois encolhe com a chegada da seca. Os grãos ficam expostos à umidade em um lugar bem ventilado.

Atualmente as plantações da Índia são 60% do tipo Robusta e as plantações de café ficam próximas às plantações de especiarias como canela, cravo, temperos, etc.

Os grãos de café indianos também podem ser encontrados coloridos, isso não é natural, é que faz parte da cultura indiana tingir algumas sementes, a cor mais comumente encontrada para o café é um verde brilhante.

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A embalagem diz: pouco ácido, forte corpo, leves notas de achocolatado natural, torra média.

 

 

Na região da Índia os cafés não são separados por tamanho através da peneira como aqui no Brasil, a classificação deles é através das letras e que neste caso o tamanho dos grãos da amostra que provei é “AA” ou seja, o maior dos tamanhos, equivalente ao nosso “peneira 18” e o “AA+”seria equivalente ao nosso “peneira 18+”.

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Em tudo que li, pesquisei e aprendi sobre o café indiano, todos relatavam o café indiano de forma semelhante: aroma de madeira e especiarias como canela, cravo e gengibre, de sabor salgado e pouco azedo. Duvidei que fosse encontrar um café salgado e com esse tal “aroma de madeira”, o restante das características eu até imaginei que fossem aparecer no aroma.

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Quando ganhei este café de uma torrefadora Alemã chamada Bogatz, não imaginei que seria um café tão surpreendente, não só de sabor, mas de histórias e mitos como estes que contei acima.

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Nota-se a coloração ligeiramente mais amarelada que o café Brasileiro.

Resultado:

Presença de sabor amadeirado, aroma de madeira molhada, sabor nítido de maresia em madeira, as notas de nozes ficaram mais evidentes no aroma do café moído e sem moer, já o achocolatado prometido não foi encontrado. Levemente picante, especiarias, salgado, levemente ácido, notas de pimenta e cravo. Gostei bastante porque ele é muito diferente de todos os cafés que já provei, confesso que me encantou bastante por ter esse aroma marítimo que combinou com meu espírito de aventura!

Obrigada Torrefadora Bogatz pelo café!

 

 

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